Vencedora na categoria Empreendedor do Ano no Prêmio Citi Melhores Microempreendimentos, Francisca Cosma Gomes Rabelo mantém duas cooperativas de reciclagem e trabalha duro para valorizar a profissão.


Empreendedora encontra fonte de renda na reciclagem

Há mais de duas décadas, Francisca Cosma Gomes Rabelo, 44, coleta materiais recicláveis no bairro do Itaim Paulista, em São Paulo, e comanda uma cooperativa de catadores. Natural de Banabuiú, Ceará, Francisca mudou-se para São Paulo aos 15 anos e, um ano depois, começou a trabalhar como costureira. Aos 22, foi morar no bairro Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, onde teve o primeiro contato com a reciclagem. “Estava desempregada, então, fui em busca de uma fonte de renda na minha região, e a catação de materiais recicláveis surgiu como uma oportunidade rentável”, relata.

Ela conta que o início foi difícil, pois era jovem, e havia preconceito e discriminação: “Cansei de ouvir de muita gente que eu era louca por trabalhar com lixo”. Quando o marido ficou desempregado, o casal se dedicou ainda mais à coleta de recicláveis. Com um fusca, os dois recolhiam os materiais de porta em porta. “Durante três anos, sustentamos 12 famílias, inclusive a nossa,com a reciclagem”.

Foi nesse período, também, que Francisca conseguiu um terreno, por meio de cessão da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), onde todo o material reciclável é separado e destinado para a venda. Em 2002, Francisca fundou a Associação de Catadores Resgate Total, que reunia famílias da comunidade. Em 2005, surgiu a Cooperativa Fênix Ágape que, hoje, é formada por 45 cooperados e recolhe cerca de 100 toneladas de resíduos por mês.

As mulheres são a maioria entre os cooperados. Isso acontece, segundo Francisca, porque elas complementam a renda da família. Além disso, a instituição emprega pessoas em liberdade assistida e moradores de rua. “Dessa forma, damos oportunidade para que eles tenham renda, já que encontram muita dificuldade para se inserir no mercado de trabalho”, explica.

Microcrédito para expandir os negócios

O microcrédito ajudou a Cooperativa Fênix Ágape a criar um capital de giro, a investir na documentação para formalizar a instituição, a comprar equipamentos e a expandir sua atuação para a cidade natal de Francisca, com a estruturação da Associação de Catadores Resgate Total em Banabuiú, em 2012. Na época, ela queria montar uma fábrica de sorvetes, mas acabou visitando os lixões do local e percebeu que tinha de expandir o trabalho que já fazia em São Paulo. Quem está à frente da organização é a família de Francisca, inclusive seu filho mais velho, Douglas, de 19 anos.

Outra ideia inovadora e de impacto social de Francisca foi o Eco Banco Fênix Ágape, criado em 2011. Embora ainda não totalmente estruturado, ele permite à população trocar materiais recicláveis por crédito, os quais, depois, poderão ser usados em cursos de informática e de inglês, além de corte de cabelo, tratamento odontológico e outros serviços. Para Francisca, o banco é uma forma de mostrar a diferença entre lixo e materiais recicláveis, conscientizando famílias de que esse resíduo pode gerar renda. “Quando a população percebe isso, ela passa a valorizar nosso trabalho e a ver a importância da reciclagem.”

Por toda sua dedicação com a reciclagem e por sua trajetória de superação e sucesso, Francisca é vencedora do Prêmio Citi Melhores Microempreendimentos de 2015, na categoria “Empreendedor do Ano”. “Recebi essa notícia no Dia Internacional da Mulher. Imagine que presente! Fiquei muito feliz, porque eu amo o que faço e por saber que mais pessoas conhecerão minha história. Essa vitória pode ajudar muito na visibilidade do nosso trabalho e no incentivo à coleta seletiva e à reciclagem”, ressalta a empreendedora.


Por p&b Comunicação e ponteAponte

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